Pazuello diz que não recebeu ordens de Bolsonaro e mantém blindagem a presidente
A CPI da Pandemia ouviu pelo segundo dia o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.
Durante a oitiva, o militar disse que não recebeu ordens do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou que o Ministério da Saúde esperou uma Medida Provisória para comprar vacinas da Pfizer, voltou a dizer que o aplicativo TrateCov foi suspenso após um ataque hacker e contou que o governo federal tinha um longo plano de combate à pandemia de Covid-19, mas que não conseguiu implementá-lo porque o Supremo Tribunal Federal (STF) "limitou" as ações do Executivo.
Logo após o término da sessão, por volta das 17h05, o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou um cronograma de trabalho da CPI para a próxima semana.
Conforme o parlamentar, a sessão da próxima terça-feira (25) ouvirá a secretária de Gestão do Trabalho e Educação no Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Na quarta-feira (26), será realizada uma sessão deliberativa de requerimentos e, nesta mesma data, será decidido o depoente da quinta-feira (27).
A série de requerimentos seria votada na abertura da sessão, mas o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), propôs que os pedidos fossem analisados na próxima semana, o que foi aprovado por unanimidade.
Ao ser questionado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA) sobre sua atuação diante da crise em Manaus, Pazuello afirmou que "foram tomadas todas as ações que podiam ser tomadas naquele momento".
"Sofri muito em Manaus. Perdi parentes e amigos. Seria absurdo dizer que isso não me afeta. Claro que existem limites, mas foram tomadas todas as ações que poderiam ser tomadas naquele momento", disse o ex-ministro.
"As pessoas que trabalhavam com a gente e estavam lá foram sendo contaminadas. Isso é muito sério. Minha família estava em Manaus e estavam todos com medo. Eu olho para Manaus todos os dias."
Em seus questionamentos a Pazuello, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), focou nos contratos de vacina negociados pelo Ministério da Saúde.
Ele negou que tenha deixado de responder às propostas feitas pela farmacêutica norte-americana Pfizer e voltou a dizer que, tão logo foi aprovada a Medida Provisória com as condições jurídicas, o contrato com a empresa foi assinado.
Já sobre a Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan, o ex-ministro afirmou que o presidente nunca falou com ele pessoalmente para não comprar o imunizante.
"[Não foi comprado antes] porque não havia MP que permitisse. Nós fizemos a carta de intenção para o Butantan no dia 17 de outubro, que é a carta que vale. A próxima medida é o contrato, que só é possível com a Medida Provisória, sancionada e publicada no dia 6 de janeiro", disse.
"A outra vacina [da AstraZeneca] foi diferente. Foi encomenda tecnológica e só foi distribuída com registro. Não fizemos encomenda tecnológica com o Butantan pela simples razão que ele já dominava a tecnologia. Tinha que ser por compra", completou.
Já ao ser perguntado porque no painel de informações do novo coronavírus do Ministério os dados sobre os pacientes recuperados da doença aparecem com mais destaque que o número de mortos, Pazuello disse que é uma forma de "dar clareza que 97% de pessoas salvas é importante".
Mais tarde, o militar voltou a tratar da carta da Pfizer. Questionado pelo presidente da CPI se teria recebido a carta da farmacêutica, Pazuello confirmou e ressaltou que já estava tratando da compra de imunizantes com a Pfizer desde abril de 2020. O ex-ministro disse também que as negociações não começaram com o documento.
Omar Aziz perguntou, então, o motivo do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten ter participado da reunião com a farmacêutica, o ex-ministro não soube responder. Pazuello, no entanto, disse que se encontrou com o ex-secretário em uma única oportunidade.
"Nunca. Falei com Wajngarten uma vez. Estava sendo tratado no nível técnico o tempo todo. Mas acredito que teve sim contato do Wajngarten com Carlos Murillo, mas não sei porque e nem como. Ele não falou comigo sobre isso", disse.

Post a Comment